Urbanismo a serviço do bem

Maria Teresa Leal

redaçao@revistaecologico.com.br

“Bom dia, ouvintes da Rádio CBN”, diz, pontualmente , às 10h05, de segunda à sexta-feira, uma voz pausada, quase tímida. É do arquiteto e urbanista Sérgio Myssior, respondendo a saudação do apresentador-âncora Marcelo Guedes. No ar pela 106,1 FM, desde fevereiro deste ano, à frente do quadro “Mais BH”, Myssior se diz impressionado com a força do rádio.

“A cada dia me surpreendo com a audiência, o retorno e o carinho das pessoas que me reconhecem nos mais diferentes lugares”. Ele não exagera. A jornalista Adriana Ferreira, produtora do programa, diz ser “enorme” a quantidade de mensagens que chegam via twitter ou pelo site do programa. “Não saberia precisar quantas pois depende do tema abordado, mas são tantas que seriam impossível mencionar todas no ar”.

Para Guedes, a boa audiência do quadro ao carisma do arquiteto e sua capacidade de “interligar os assuntos com uma visão global e em tom coloquial”. Adriana acrescenta que Myssior tornou-se uma espécie de porta-voz da população, porque fala, quase sempre, de temas que interessam a muita gente de um jeito descomplicado. “Agora, sei onde o calo aperta para cada um e tento ajudar”, diz. Quando aceitou o convite da rádio – meio reticente, porque sabia que lhe tomaria tempo considerável-, nem de longe imaginou que teria tão boa aceitação.

“O Marcelo é muito crítico e, de vez enquando, solta sprays de pimenta nos meus olhos” diz ele, referindo-se às perguntas mais ácidas do âncora. Mas, ao mesmo tempo, reconhece que isso é bom, porque não o deixa se acomodar.

Descendente de poloneses, assumidamente introvertido, o ex-estudante de arquitetura que nunca foi caxias, agora se vê debruçado sobre os livros, jornais e revistas todos os dias. Por pelo menos duas horas, ele revê temas relacionados ao meio ambiente, urbanismo, mobilidade, sustentabilidade e qualidade de vida. E o que é melhor: com prazer. “Estou adorando”, diz ele, abrindo um sorriso. Outra decisão foi adotar, no programa, o mesmo tom conciliador e otimista que molda sua personalidade. “Não gosto da crítica pela crítica.O combate é bom, mas tem que ser feito de forma pontual e construtiva”.

Aos 41 anos, recentemente empossado como conselheiro da Revista ECOLÓGICO, Myssior parece ter encontrado sua “praia”. Mas, o caminho até aqui, teve percalços. Em 1996, quando concluiu a faculdade, deparou-se com um mercado pós-Collor, recessivo e sem perspectivas. Não viu outra saída que não fosse se colocar de forma diferenciada para os clientes que haviam sumido. Ao concluir a pós-graduação pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), viu aflorar um lado empreendedor que desconhecia, e entendeu que não bastava ter boas ideias e conhecimento. Investiu, então, num escritório voltado para gerenciamento de projetos. Desde essa época, martelava-lhe a ideia de como poderia usar da arquitetura e urbanismo para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Era a busca de um nicho e de um viés que coincidissem com suas crenças. Mas, ele e alguns familiares com quem formou uma sociedade, enfrentaram preconceito. Afinal, era “feio” ser arquiteto-empresário, quase um demérito. Os bons eram os “artistas”, intelectuais, discípulos dos mestres contemporâneos, como Oscar Niemayer, Arthur Casas e Ruy Ohtake. Em 1997, com a aprovação da Lei do Licenciamento, em Belo Horizonte, Myssior teve um insight.

 

<div data-configid=”0/5050103″ style=”width: 525px; height: 525px;”></div><script type=”text/javascript” src=”//e.issuu.com/embed.js” async=”true”></script>

Comentários