Entrevista com o Arquiteto e Urbanista Sergio Myssior

A Verde Bike entrevistou o Arquiteto e Urbanista Sergio Myssior, especialista em meio ambiente urbano. Sérgio trabalha com estudos ambientais e urbanos há mais de 15 anos. É casado e possui dois filhos pequenos. Atua como diretor da MYR Projetos Sustentáveis, empresa com foco no desenvolvimento sustentável das cidades, compartilhando com uma equipe de biólogos, geógrafos e sociólogos experiências de investimento na melhoria socioambiental.

VB _Você é conhecido como um defensor do uso de transportes alternativos, como surgiu esse interesse?
Sérgio Myssior _ Como morador de Belo Horizonte desde 1971, quando nasci, tenho experimentado, na maioria das vezes, morar próximo do trabalho. Num determinado período tive o privilégio de trabalhar cerca de quatro quarteirões de casa, fazendo o percurso a pé em menos de 10 minutos. Os meus filhos estudam próximos de casa e tentamos sempre reunir nos arredores as nossas principais demandas. Mas devido à topografia acidentada, o carro tem sido essencial desde então.
Com o aumento do trânsito e o crescimento dos filhos, temos conversado sobre alternativas de mobilidade. Às vezes utilizamos o ônibus, taxis ou mesmo para pequenas distâncias vamos a pé. Como o metrô de BH é bem restrito e limitado, o ônibus sempre nos surpreende com problemas de superlotação, atrasos, segurança, falta de conforto, etc, imaginamos, baseado nas experiências de outras cidades, que alternativas seriam viáveis também em BH. O sistema de aluguel de bicicletas, por exemplo, é um grande sucesso em Paris, Rio, Miami e outras tantas, mas ainda não implantado em BH.

VB _ Quais os avanços você julga necessário para que o número de pessoas utilizando os transportes alternativos cresçam? Na sua visão este é um papel do governo ou uma conscientização pessoal?
Sérgio Myssior _ Ambos tem esta missão. Os Governos investirão tão logo a sociedade se mobilize. Por outro lado, esta questão de transporte alternativo pode ser entendida como um ciclo virtuoso, pois quanto mais se investe, mas a população acaba de utilizando e valorizando. Primeiro foram as pistas de caminhada, depois as ruas fechadas aos finais de semana, em seguida as ciclovias e assim por diante. A população precisa experimentar para valorizar e se envolver. Os governos devem estimular estas experimentações.

VB _ Em que pontos a Arquitetura e o Urbanismo podem contribuir nesse processo de migração do uso dos transportes comuns para os alternativos?
Sérgio Myssior _ O planejamento das cidades, campo não somente dos arquitetos e urbanistas, mas do conjunto de conhecimento de várias disciplinas e formações, pode ser um grande aliado para a melhoria da qualidade de vida urbana. Na base desta questão o planejamento do uso e ocupação do solo, aliado a uma abordagem holística e sustentável. Neste sentido a mobilidade não entra apenas para tratar do problema do trânsito e transporte, mas para conectar pessoas, lugares, economias e culturas. Repensar as cidades, aproximando a moradia, trabalho, lazer, serviços e entretenimento é essencial para otimizar os recursos, reduzir os problemas de locomoção e melhorar a qualidade de vida. Estamos falando, portanto, de vida em comunidade, cooperação, cultura, dentre tantos aspectos. Neste sentido, os espaços e os lugares devem priorizar as pessoas, e não os carros, como muitos pensam. É claro que o carro tem um papel muito importante em nossa sociedade contemporânea, não podemos negar. Mas a sociedade também demanda alternativas criativas, saudáveis e amigáveis. Este talvez seja um termo importante: amigável. Claro, cada alternativa, cada modal, tem o seu objetivo, a sua utilidade. O segredo talvez seja proporcionar o conjunto, devidamente integrado.

VB _ Qual a frequência em que você utiliza os transportes alternativos?
Sérgio Myssior _ Muito pouco ainda. A bike elétrica ainda está sendo experimentada. A bike normal mais nos finais de semana. A pé com maior frequência. Ainda sou um grande usuário do carro particular mesmo. Este continua sendo o meu meio de transporte mais utilizado. A tendência é que com o tempo, a infraestrutura e a educação das pessoas, que eu possa me dividir no futuro entre os modais convencionais e os alternativos.

VB _ Você possui uma Bike Elétrica. Porque escolheu uma bike e elétrica? Conte-nos como está sendo a experiência:
Sérgio Myssior _ Em razão da topografia de BH achei que a bike elétrica poderia ser uma solução mais eficiente. Estou gostando e pretendo passar esta mais simples para os meus filhos e adquirir uma com mais potência e mais apropriada para a locomoção nas ruas. BH também precisa investir muito em ciclovias, em estacionamentos para bikes e, principalmente, em educação, para que a experiência não se transforme em tragédia.

VB _ O que você diria para as pessoas que ainda não se conscientizaram que o transporte alternativo é um grande meio de se fugir do caos do trânsito e de se alcançar mais qualidade de vida?
Sérgio Myssior _ Experimentem!

Comentários

  1. José Geraldo Dutra

    Qual o valor desta bicicleta que o Sérgio Myssior esta usando e qual asua potencia?
    Moro em Caratinga MG, e como BH, aqui tambem é inviavel vc andar de carro, pois não tem mais onde estacionar nas ruas, e uma bicicleta eletrica é o canal.
    Grande abraço…